Águas de Joinville transforma lodo do tratamento de água em insumo para a indústria cerâmica

  • Foto: Divulgação -

Solução inovadora reaproveita resíduos da ETA Cubatão, reduz impacto ambiental, gera economia e já resultou na produção de cerca de cinco milhões de tijolos

A Companhia Águas de Joinville implantou uma solução inovadora que transforma o lodo gerado no tratamento de água em matéria-prima para a indústria cerâmica. Antes destinado a aterros sanitários, o resíduo da Estação de Tratamento de Água (ETA) Cubatão passou a ser utilizado na fabricação de tijolos e peças decorativas, unindo sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica.

Desde o início da operação, em janeiro de 2025, cerca de cinco milhões de tijolos já foram produzidos com a adição do lodo de ETA. “A proposta alia preservação ambiental e viabilidade econômica”, destaca o diretor-presidente da Águas de Joinville, Sidney Marques de Oliveira Junior. Segundo ele, a iniciativa reduz a extração de argila em jazidas naturais e pode diminuir em até 20% o custo de produção dos tijolos com a incorporação do lodo e de componentes minerais.

Embora não comercialize as peças cerâmicas — atividade realizada por empresas parceiras —, a Companhia também registra economia direta com a redução dos custos de transporte e destinação do resíduo, estimada em cerca de R$ 40 mil por mês.

Entre janeiro e dezembro de 2025, mais de 3 mil toneladas de lodo da ETA Cubatão foram reaproveitadas. De acordo com o gerente de Governança, Risco e Conformidade da Águas de Joinville e responsável pelo escritório de inovação, Thiago Zschornack, a operação iniciou com o envio de aproximadamente 150 toneladas mensais à indústria cerâmica. “Nos primeiros meses utilizamos apenas parte do resíduo, mas a partir de março alcançamos 100% de aproveitamento do lodo produzido na ETA Cubatão”, afirma.

Até o fim de 2024, o lodo do tratamento de água era encaminhado para aterros sanitários, conforme prevê a legislação ambiental. Mesmo com a destinação correta, esse tipo de resíduo ainda pode gerar emissões de gases de efeito estufa. “Agora atingimos outro patamar de sustentabilidade. Com a nova aplicação, o lodo se torna inerte, reduzindo ainda mais os impactos ambientais”, explica o gerente de Água da Companhia, Lucas Emanuel Martins.


Projeto une inovação, sustentabilidade e economia circular

A iniciativa começou a ser desenvolvida em 2022, a partir de uma chamada pública promovida pelo escritório de inovação da Companhia, o InovaCAJ, em parceria com a empresa Follow Compound Soluções Sustentáveis. Após ser selecionada, a proposta passou por prova de conceito em 2023, testes em pequena escala e aprovação definitiva em 2024.

A ETA Cubatão, responsável pelo abastecimento de 78% de Joinville, produz mensalmente mais de 4 bilhões de litros de água e gera cerca de 348 toneladas de lodo. Já a ETA Piraí, que atende 22% do município, produz aproximadamente 15 toneladas mensais do resíduo, que também passarão a ser destinadas à indústria cerâmica após a conclusão das obras de modernização da unidade.


Iniciativa premiada em inovação

Em dezembro do ano passado, o projeto foi reconhecido com o 1º Prêmio INOVACIJ, promovido pela Associação Empresarial de Joinville. Com o título “Saneamento Circular: do lodo à cerâmica sustentável”, a iniciativa venceu na categoria produto, no segmento empresa de médio porte.

O projeto coloca a Águas de Joinville em posição de destaque nacional como a primeira empresa de saneamento do Brasil a destinar, de forma estruturada, o lodo de ETA para a indústria cerâmica. Também é pioneira na utilização do Contrato Público de Solução Inovadora (CPSI), modalidade prevista no Marco Legal das Startups, instituído em 2021.


Do tratamento de água ao tijolo sustentável

Após o tratamento da água, os resíduos seguem para a Estação de Tratamento de Lodo (ETL), localizada na ETA Cubatão, onde passam por um processo de prensagem. O lodo resultante, com cerca de 20% de sólidos, é transportado para Tijucas (SC), onde é beneficiado e armazenado.

Amostras do material são encaminhadas ao laboratório Safira Soluções Minerais, especializado em cerâmica, onde passam por análises físicas, químicas e térmicas. Com base nos resultados, é definida a proporção adequada da mistura entre argila e lodo. “Utilizamos entre 40 e 60 gramas de lodo para cada quilo de argila, variando conforme a composição do material, que depende das condições naturais do manancial”, explica o diretor do laboratório, Célio Telles.

Após nova rodada de testes e validação da qualidade, o material é enviado para uma fábrica de cerâmica estrutural em Canelinha (SC), onde é incorporado à produção de tijolos. A região de Tijucas e Canelinha, na Grande Florianópolis, é referência nacional na fabricação de insumos para a construção civil, com produtos comercializados em Santa Catarina e em outros estados do país.

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